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COLEÇÕES PESSOAIS

 

As Coleções Pessoais contêm conjuntos documentais e iconográficos reunidos por diversos pesquisadores que se dedicam ao estudo e à preservação da memória da imigração italiana em Minas Gerais. Os acervos são resultados de pesquisas e de iniciativas de recuperação da memória imigratória e são compostos por documentos, fotografias, cartas, publicações e outros registros relacionados à imigração italiana em Minas Gerais e a seus aspectos históricos, sociais e culturais.

A Coleção Fernanda Pittella reúne o fruto de alguns anos de pesquisa sobre o tema da imigração italiana em Minas Gerais, especificamente na microrregião da Zona da Mata mineira compreendida entre os antigos arraiais de Palmyra (atual Santos Dumont), Sítio (atual Antônio Carlos) e União (atual Bias Fortes). O acervo reunido e conservado por Fernanda ajuda a contextualizar a chegada dos imigrantes provenientes da cidade de Lauria, província de Potenza, na Basilicata, a partir de 1864. A coleção consta de acervos familiares (documentos, fotos, cartas) de lucanos lauriotas que chegaram na região e, após se estabilizarem, retornaram à Itália para trazer seus familiares e conterrâneos e ali se estabelecerem definitivamente. Fruto da colaboração das famílias Albanese, Carlomagno, Cassino, Cosentino, Castelluccio, Di Lascio, Gugliotti, Imbelloni, Lagrotta, Lauria, Lombardi, Palmieri, Pansardi, Pittella, Sarubbi e Scaldaferri, a Coleção é um esforço conjunto de recuperação da memória imigratória na região então considerada a espinha dorsal de Minas – a Comarca de Barbacena. A reconstituição das histórias dessas vidas extraordinárias evidencia o protagonismo dos imigrantes na transição econômica da Comarca de Barbacena, que de escoadora da produção aurífera se tornou o esteio agropecuário que Minas representou com a produção cafeeira e leiteira.

Além de dados familiares, a Coleção Fernanda Pittella inclui uma listagem de imigrantes que aportaram no Rio de Janeiro entre 1875 e 1920, cujos sobrenomes seriam oriundos de Lauria e região (Trecchina, Lagonegro, Castelluccio, Moliterno, entre outros). A listagem inclui nome, sobrenome e idade de cada imigrante e discrimina também a sua localidade de origem, o porto onde embarcou, o nome do navio em que viajou, a data de chegada no porto do Rio e, desde que presente nos documentos, a sua atividade profissional, declarada no embarque. Trata-se de um esforço de pesquisa que contribui significativamente com as buscas de imigrantes de sobrenomes lucanos.

O acervo contém também a edição digital do livro “Vidas Extraordinárias – A Imigração Italiana de Lauria à Palmyra”, nas suas versões em português, lançada em 2025, e em italiano, lançada em 2026.
O protagonismo dos emigrantes de Lauria viabilizou o restabelecimento dos laços de amizade e de cooperação entre os municípios de Santos Dumont e de Lauria. O acervo inclui uma reportagem televisiva, produzida pela TVMont, que apresenta as iniciativas e intercâmbios entre as duas cidades.

Sobre a autora:
Escritora e memorialista de Santos Dumont (MG). Autora de seis livros, organizadora de duas antologias, revisora e editora literária. Graduada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e doutora pela Tokyo Medical and Dental University (Japão). Descendente de Albanese e Pittella
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