Getúlio Vargas decreta o confisco de bens de imigrantes alemães e italianos no Brasil em 11 de março de 1942.
Desde o período pré-guerra, na década de 1930, até os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, o Brasil manteve neutralidade política, mantendo diversos acordos econômicos com as duas principais potências econômicas do conflito: Estados Unidos e Alemanha.
Com os nazistas, por exemplo, o Brasil fechou importantes acordos comerciais. O Terceiro Reich se tornou o maior consumidor de nosso algodão e o segundo maior comprador de nosso café. Em contrapartida, nosso Exército passou a receber o fornecimento de armamentos. Além disso, o fascismo aflorava por aqui com o crescimento do movimento integralista — mais tarde perseguido pelo governo de Getúlio Vargas. Vargas, aliás, foi o responsável por fazer o Brasil voltar-se para os Estados Unidos, em detrimento da Alemanha. Embora o conflito parecesse longe de nos afetar diretamente, tudo mudou após um ataque sofrido por um navio brasileiro em março de 1941. Um ano depois, em 11 de março de 1942, Getúlio Vargas tomou mais uma medida contra o Eixo: o confisco de bens e direitos de estrangeiros alemães, italianos e japoneses residentes no Brasil.
O historiador Roberto Sander, em “O Brasil na mira de Hitler: a história do afundamento de navios brasileiros pelos nazistas”, relata que no dia 22 de março de 1941, o navio a vapor Taubaté navegava entre o Chipre e Alexandria, no Egito, levando um carregamento de vinho, batatas e lã. Quando se aproximava de seu destino, na costa egípcia, no Mediterrâneo, a embarcação foi surpreendida por um avião da Luftwaffe. Embora o lançamento das bombas não tenha o atingido, o navio foi alvejado por tiros de metralhadora.
Mário Fonseca Tinoco, comandante do Taubaté, sinalizou que o navio ostentava nitidamente a bandeira brasileira pintada em todas suas bordas, além de ter içado uma bandeira branca em seu mastro principal. O navio não foi afundado, mas o ataque do avião da Luftwaffe foi responsável pela morte do primeiro brasileiro na guerra: José Francisco Fraga, comandante atingido pela metralhadora. Outros tripulantes também foram atingidos, mas sobreviveram.
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