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A emigração italiana para o Brasil e para o Estado de Minas Gerais – História

De 1861, ano da Unificação da Itália, até hoje, cerca de 31 milhões de cidadãos italianos deixaram o Bel Paese; mais de 19 milhões nunca mais voltaram. Entre 1875 e 1960, quase dois milhões de italianos emigraram para o Brasil e os que ficaram, cerca de um milhão – formaram a base para o início do crescimento demográfico do componente italiano do povo brasileiro (Emilio Franzina).

Minas Gerais foi a terceira região a receber imigrantes italianos, depois de São Paulo e Rio Grande do Sul: os dados existentes sugerem que a população de descendentes de italianos em todo o Estado se aproxima de dois milhões. Há também uma imigração italiana mais recente, da década de 1970, movida pela vinda da FIAT Automóveis, além de uma nova onda imigratória iniciada em 2000 e intensificada com a crise mundial de 2008.

Apesar da importância desse fenômeno, os estudos sobre a emigração italiana para Minas Gerais eram muito escassos até há poucos anos. Para preencher essa lacuna nasceu, em 2005, o projeto SEMINÁRIO SOBRE A IMIGRAÇÃO ITALIANA EM MINAS GERAIS, com o objetivo de incentivar a pesquisa e divulgar os diferentes aspectos e contribuições dos imigrantes italianos para o desenvolvimento deste Estado, nos âmbitos cultural, socioeconômico e político.

Desde o início, o Seminário contou com a importante contribuição e participação do professor Emilio Franzina. Professor de História Contemporânea na Universidade de Verona, Franzina é um dos principais estudiosos da história da emigração italiana, principalmente para a América Latina, tendo publicado inúmeros livros, alguns dos quais traduzidos no Brasil.

As dez edições do Seminário, juntamente com outras conferências e atividades sobre o tema realizadas ao longo dos últimos dezesseis anos – em parceria com o Consulado de Itália em Belo Horizonte, por meio dos Comitês, e em colaboração com universidades, empresas, autarquias, patronatos e associações culturais brasileiras e italianas – permitiram recolher numerosas contribuições, a maior parte vinda do âmbito acadêmico.

O Seminário ofereceu também espaço para testemunhos e memórias familiares de descendentes de imigrantes. Foram ainda identificadas importantes fontes em coleções públicas e privadas, muitas das quais em vias de perder-se.

Constatou-se ainda que a inexistência ou precariedade de arquivos estaduais e municipais e a dispersão de fontes documentais em arquivos e locais diferentes, que só podem ser consultados fisicamente, dificultam em muito o trabalho de pesquisadores.

Na oitava edição do Seminário sobre a Imigração Italiana em Minas Gerais, realizada em Belo Horizonte de 28 de maio a 2 de junho de 2018, foram lançados os pré-requisitos para a criação de um portal na internet que reúna documentos sobre a imigração italiana no Estado ligado a bancos de dados e arquivos de outros estados.

Participaram do seminário representantes dos Arquivos Estaduais de Minas Gerais e do Espírito Santo, do Museu da Imigração de São Paulo e o diretor do Instituto Central de Arquivos, Dr. Stefano Vitali, que também é coordenador do Portal Antenati do Ministério da Cultura italiano.

Em fevereiro de 2021, a Ponte entre Culturas assinou um termo de parceria com o MEI – Museo dell’Emigrazione di Genova, no qual foram lançadas as bases para futuras colaborações destinadas à proteção, valorização e divulgação do patrimônio histórico, documental e iconográfico da emigração italiana para Minas Gerais.

No final de 2022, o projeto de criação do Museu Virtual foi aprovado pelo Ministério da Cultura do Brasil e recebeu uma subvenção por meio de isenção fiscal prevista na lei federal de incentivo à cultura.

E assim, em 2023, foi finalmente possível começar a pôr em prática o projeto, o qual vem recebendo manifestações de interesse e apoio de muitas instituições e entidades públicas e privadas italianas e brasileiras.

A primeira fase do projeto teve início no segundo semestre de 2023, em cooperação com o Consulado Italiano em Belo Horizonte. O trabalho está sendo realizado por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores e de consultores especializados em arquivos, história, memória e patrimônio cultural. Iniciou-se com a pesquisa no Museu Histórico Municipal (MHAB – Museu Histórico Abílio Barreto) e no Arquivo Público Mineiro (APM – Arquivo Público Mineiro).

As fases seguintes do projeto preveem a continuação do trabalho de pesquisa em outras instituições, arquivos e centros de memória, deslocando e descentralizando progressivamente a pesquisa para outras regiões e cidades do Estado de Minas Gerais que receberam número significativo de imigrantes italianos.

Os desdobramentos futuros deste projeto são amplos e sugerem possibilidades de integração do portal com outras bases de dados, a fim de promover uma crescente circulação e disseminação de informações.

Nesse sentido, são previstas e esperadas parcerias e colaborações com importantes centros de estudos e arquivos como o ASEI – Arquivo Histórico da Emigração Italiana, o CISEI – Centro Internacional de Estudos da Emigração Italiana, e outros numerosos arquivos italianos e brasileiros que estão trabalhando em rede.

A criação do MUVITMG nasce da necessidade de salvaguardar para o presente e para as gerações futuras, a história da emigração que pertence a todos os italianos e à sociedade onde se inseriram, e que merece ser compartilhada com cidadãos de todo o mundo, onde quer que existam raízes italianas. Ao reunir fontes documentais de distintas naturezas e arquivos, o museu permite o acesso ao conhecimento dessa história por um público amplo, e favorece estudos e investigações sobre o tema. Permite ainda estabelecer contatos e vínculos entre o público em geral, pesquisadores, comunidades e instituições que se ocupam da emigração e imigração italianas.

A organização do projeto é da responsabilidade da Ponte entre Culturas, uma associação de cidadãos italianos e brasileiros, criada em 2004 em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais, Brasil, com o objetivo de promover o diálogo e o intercâmbio cultural, artístico e multidisciplinar sobre os temas da memória, migração e cidadania ativa, valorizando a diversidade cultural e o multiculturalismo.