A imigração italiana em Minas Gerais entrelaça elementos das culturas brasileira e italiana, resultando em manifestações culturais ricas e diversas. A diversidade das expressões artísticas e habilidades técnicas trazidas pelos imigrantes italianos abrange música, cinema, fotografia, culinária, teatro, artesanato, arquitetura, entre outras. Um legado cultural que revela a rica contribuição dos italianos e seus descendentes para Minas Gerais.
O cinema mineiro exemplifica a contribuição essencial dos imigrantes italianos e ítalo-descendentes, que trouxeram técnicas e conhecimentos cinematográficos avançados da Itália. Essa bagagem cultural e técnica contribuiu para elevar a qualidade e a diversidade da produção cinematográfica no Brasil.

Imagem: Reprodução/Cinemateca Nacional.
Paulo Benedetti, um dos pioneiros do cinema em Minas Gerais, nasceu em Bernalda em 1863. Ele desempenhou um papel fundamental na consolidação da cultura cinematográfica entre os mineiros, ao criar o Cinematographo Mineiro em Barbacena em 1909, a primeira sala de projeções da cidade. Sua atuação foi crucial para popularizar o cinema na região.

Imagem: Reprodução/Cinemateca Nacional
A fotografia foi outra atividade artística em que a presença italiana se destacou em Minas Gerais. Entre 1894 e 1939, fotógrafos italianos como Adolfo Radice, Aldo Borgatti, Estêvão Lunardi, Igino Bonfioli e outros contribuíram significativamente para a prática profissional da fotografia em Belo Horizonte.

Imagem: Acervo pessoal de Anísio Ciscotto.
A prática desses fotógrafos em Belo Horizonte influenciou a representação visual e moderna da cidade, introduzindo uma diversidade de estilos e influências na cena fotográfica através de técnicas e equipamentos inovadores. Um destaque entre eles é Igino Bonfioli, italiano que, junto aos seus irmãos, fundou o “Photographia Art Nouveau”. Este atelier não apenas atendia uma clientela expressiva, mas também se destacava pela execução de retratos em diversos sistemas, mostrando-se um fotógrafo empreendedor e inovador que deixou um legado significativo na história da fotografia em Belo Horizonte e na cultura visual da cidade (CAMPOS, 2009).

Imagem: Acervo pessoal de Anísio Ciscotto.
O italiano Celidonio Mazzei destacou-se na fotografia da Zona da Mata mineira. Nascido em 1888 em Lucciano, na Toscana, mudou-se para o Brasil ainda criança. Desde cedo, trabalhou no meio rural e, mais tarde, como pedreiro em Visconde do Rio Branco, na Zona da Mata. Alfabetizado em italiano e português, estudou música e pintura, tocou bombardino na banda da cidade, mas foi na fotografia que encontrou sua verdadeira vocação.

Imagem: Acervo da família Mazzei.
Em 1913, foi ao Rio de Janeiro para estudar fotografia na Casa Berthe e adquirir equipamentos. De volta à Visconde do Rio Branco, fundou, em 1921, a revista “Terra Mineira” com o jornalista Luiz Aroeira. Em 1925, mudou-se para Ubá após o sucesso de sua exposição na cidade.

Imagem: Acervo da família Mazzei.
Celidonio trouxe as primeiras câmeras com iluminação artificial para Minas Gerais e foi pioneiro nas revelações fotográficas a cores no Brasil. Uma de suas fotografias mais famosas é o registro da passagem do dirigível Zepelim em Ubá, em 1930, uma imagem histórica e amplamente conhecida no país. Celidonio Mazzei faleceu em 1980, deixando uma marca indelével nas artes e na fotografia mineira e brasileira.

Imagem: Acervo da família Mazzei
Outro impacto significativo da presença italiana em Minas Gerais e sua influência artística pode ser observado na arquitetura e no artesanato Cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte. Artistas e artífices italianos desempenharam um papel fundamental na construção, decoração de túmulos, mausoléus e capelas funerárias no local. Imigrantes italianos, como os Natali e a marmoraria Martini & Bottaro, foram responsáveis por uma grande parte das obras em cantaria no cemitério, incluindo esculturas, criando peças decorativas e estruturas arquitetônicas (ALMEIDA, 2009).

Imagem: Reprodução/PBH
Artistas italianos como Carlo Bianchi, Gino Ceroni, Nicola Dantolli e Antônio Folini deixaram registros artísticos no cemitério do Bonfim, em Belo Horizonte. Suas obras destacam-se pela habilidade e criatividade dos artesãos marmoristas italianos, que combinaram arte e técnica, enriquecendo esteticamente o local (ALMEIDA, 2009).
A influência italiana também se nota na arquitetura de Belo Horizonte. O arquiteto italiano Raffaello Berti recuperou estilos como o art déco e o neocolonial, integrando elementos clássicos com inovações modernas. Com mais de 500 projetos na cidade, incluindo hospitais, igrejas, cinemas, colégios e edifícios comerciais e residenciais, como a Prefeitura de Belo Horizonte e a sede do Minas Tênis Clube, Berti deixou um legado significativo. Sua obra representa um elo entre tradição e modernidade na arquitetura de Belo Horizonte, demonstrando a harmoniosa integração de elementos históricos e contemporâneos (CASTRIOTA, 2009).

Raffaello Berti.
Imagem: Acervo Museu Histórico Abílio Barreto.

Raffaello Berti.
Imagem: Reprodução/PBH
As tradições artísticas italianas se mesclaram às manifestações locais, criando uma rica combinação de criatividade e identidade cultural. As diferentes formas de arte transmitidas por gerações de italianos e ítalo-descendentes enriqueceram a cultura de Minas Gerais. Para saber mais sobre Igino Bonfioli, Paulo Benedetti, Luiz Brescia, Raffaello Berti, Celidonio Mazzei, o cinema mineiro, a arquitetura de Belo Horizonte, fotógrafos destacados na cultura visual mineira, e outras manifestações culturais italianas em Minas Gerais, visite nosso acervo virtual e leia nossos artigos.
Referências
- SEMINÁRIO DA IMIGRAÇÃO ITALIANA EM MG, 10, 2020, on-line. Palestra: “Imagens da Colonização Italiana da Zona da Mata – Celidonio Mazzei: o Olhar Sensível de um Líder Cultural”, de Alexandre Mazzei. Ponte entre Culturas, Coleção Seminário da Imigração Italiana em MG. 2020.
Disponível em: https://muvitmg.org.br/colecao-muvit/palestra-imagens-da-colonizacao-italiana-da-zona-da-mata-celidonio-mazzei-o-olhar-sensivel-de-um-lider-cultural-de-alexandre-mazzei/ - SEMINÁRIO DA IMIGRAÇÃO ITALIANA EM MG, 5, 2009, Belo Horizonte. Palestra: “Arte e artesanato: registros da presença italiana no conjunto arquitetônico do Cemitério do Bonfim em Belo Horizonte”, da profa. Dra. Marcelina das Graças de Almeida. Ponte entre Culturas, Coleção Seminário da Imigração Italiana em MG. 2009.
Disponível em: https://muvitmg.org.br/colecao-muvit/palestra-arte-e-artesanato-registros-da-presenca-italiana-no-conjunto-arquitetonico-do-cemiterio-do-bonfim-em-belo-horizonte-da-profa-dra-marcelina-das-gracas-de-almeida/ - SEMINÁRIO DA IMIGRAÇÃO ITALIANA EM MG, 5, 2009, Belo Horizonte. Palestra: “A Fotografia em Belo Horizonte (1894-1939): um retrato da prática profissional de imigrantes italianos”, de Luana Carla Martins Campos. Ponte entre Culturas, Coleção Seminário da
Imigração Italiana em MG. 2009.
Disponível em: https://muvitmg.org.br/colecao-muvit/palestra-a-fotografia-em-belo-horizonte-1894-1939-um-retrato-da-pratica-profissional-de-imigrantes-italianos-de-luana-carla-martins-campos/ - SEMINÁRIO DA IMIGRAÇÃO ITALIANA EM MG, 5, 2009, Belo Horizonte. Palestra: “Arquitetura italiana em Belo Horizonte: racionalismo, tradição e modernidade”, do prof. Dr. Leonardo Barci Castriota. Ponte entre Culturas, Coleção Seminário da Imigração Italiana em MG. 2009.
Disponível em: https://muvitmg.org.br/colecao-muvit/palestra-arquitetura-italiana-em-belo-horizonte-racionalismo-tradicao-e-modernidade-do-prof-dr-leonardo-barci-castriota/ - SEMINÁRIO DA IMIGRAÇÃO ITALIANA EM MG, 5, 2009, Belo Horizonte. Palestra: “Pioneiros do Cinema em Minas Gerais”, do prof. Paulo Augusto Gomes. Ponte entre Culturas, Coleção Seminário da Imigração Italiana em MG. 2009.
Disponível em: https://muvitmg.org.br/colecao-muvit/palestra-pioneiros-do-cinema-em-minas-gerais-do-prof-paulo-augusto-gomes/
Sites
- http://www.bcc.org.br/fotos/868665
- http://www.bcc.org.br/cartazes/cartaz_fb/001504#
- https://www.jornalonoticiario.com.br/noticia/1991/arquivo-de-celidonio-mazzei-mostra-os-primeiros-anos-do-centenario-obelisco-da-praca-independencia